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MACBETH -  UMA TRAGÉDIA IBÉRICA de Julio Salvatierra

 

SOBRE O ESPECTÁCULO

Macbeth, uma tragédia Ibérica situada numa época histórica muito distante do século em que foi escrito. A nível dramático acreditamos não ser fundamental a fidelidade histórica aos dados originais, nem ao estrato social no qual a obra está enquadrada. O matiz mais importante desta transposição que Shakespeare realiza, a nosso ver, é o da ambientação. A Idade Média. O alvorecer da história de Inglaterra. Os castelos sombrios da Escócia, as superstições, as bruxas, a magia... um ambiente de luz e de sombras que estimulava a imaginação do escritor... e do público. Rios de tinta correram, e correm, sobre a forma e a maneira de representar a "tragédia escura", e a primeira questão que se nos colocou foi a de como enfocar, hoje em dia, a representação de todo esse universo sombrio, primario, tenebroso e fantastico? A segunda foi a constatação que um dos conflitos básicos de Macbeth - poder e ambição aparte - era o da consciência na sua constante oposição ao impulso. O conflito do indivíduo consigo mesmo. Macbeth é enganado por algo que lhe faz acreditar na viabilidade do que lhe foi professado, que ligitima um impulso que de outro modo talvez nem sequer tivesse reconhecido como seu. Esse algo é o que Shakespeare deixa, genialmente, entre sombras: é a sua imaginação, o seu inconsciente ambicioso, o sobrenatural...? Não sabemos: "é a prova da natureza divina das coisas", como diria Marguerite Yourcenar. Onde encontrar esse universo referencial que nos faltava para dar corpo a esta tragédia de sombras e de seres humanos? Partindo de uma ideia antiga propusemo-nos realizar uma transposição a um mundo de referências tão próximo como surpreendentemente distante... Depois encontrámos as fotografias de Donald McCullin, uma das quais serve de capa a este programa, que acabaram por dar forma a ideia: desde os grupos de soldados quase tribais que vemos frequentemente nos noticiários, na Sérvia, em Angola, no Perú... aos homeless, mendigos ou marginais que povoam qualquer grande cidade, estávamos rodeados das imagens que procurávamos. Não se tratava de realizar uma adaptação realista ou naturalista de nenhum destes ambientes, nem de modificar o texto ou alterar o registo da linguagem. Tratava-se de ter como ponto de partida um Macbeth de carne e osso, credivel aos olhos do público deste final de século. Poderia ser um patriarca de uma qualquer etenia cigana - de Lisboa, Madrid ou do Kazjastan - ou um miliciano balcânico ansioso de poder... A acção poderia decorrer num descampado ou no meio de umas ruina devastadas por alguma guerra... Tudo referências que nos fazem lembrar que a Idade Média não está tão longe como supomos, que efectivamente está dentro de nós. Que todos, de alguma forma, nos podemos identificar com Macbeth.

 

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

Tradução e Adaptação Julio Salvatierra | Actores Alvaro Lavín, Inma Nieto, Filipe Duarte, José Luis Patiño, Manuela Pedroso, Mariano Llorente  e Oscar Sánchez Desenho Figurinos Elisa Sanz Desenho de luzes, Cenografia e Encenação Miguel Seabra e Laila Ripoll Música Original e Espaço Sonoro Juan Carlos Torres Desenho Gráfico Susana Salerno,Eladio Sánchez e Julio Salvatierra Fotografia e Video Juan Ripoll e Julio Salvatierra Tecnicos de Luz e Som Juan Ripoll e Javier Taravillo Produção Executiva Mónica Almeida - Teatro Meridional, Portugal Cachivache S.L. - España Produção Teatro Meridional, Producciones Micomicón e Producciones Cachivache (Mimeca UTE) Co-produção Fundação das Descobertas, Centro Cultural de Belém, Inatel e Teatro da Trindade

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